The Death Knight

Cap 1 – Um Pequeno Ser

Era verão e o sol parecia querer derreter tudo com seu calor. Apesar disso todos estavam felizes e festejavam por toda Floresta do Canto Eterno. Um novo ser tinha acabado de chegar ao mundo em Luaprata.

O pai, um Quel’Dorei que todos conheciam como Tk’ay Tamnar, não conseguia conter tanta alegria por ter recebido um filho, seu primeiro filho. A mãe, ainda recompondo suas forças pelo difícil trabalho de parto que passara esboçava, muito emocionada, um sorriso de felicidade e alívio. Pediu para segurar seu filho, e contemplando o tenro rosto daquele bebê disse: “Este será chamado Æk’ay, pois nas guerras se faz a vida…” Nascia ali, em plena Guerra Æk’ay Tamnar. Filho primogênito do Tenente-Comandante Therionk’ay Tamnar e Lady Suryan Brisabela. Quem estava próximo àquela família sabia, que para muitos ele seria símbolo de luta, força, determinação e coragem. Mas ninguém imaginaria naquele momento, que o futuro aguardava muito mais que apenas títulos àquele pequeno ser.

Alguns anos se passaram e as guerras pareciam não terminar. As fileiras dos sete reinos humanos estavam esvaíndo-se, apesar destes estarem ganhando na disputa armada. Tk’ay, que fora observado por alguns dos líderes do Punho de Prata durante as batalhas, não imaginava o que estava por vir, pois além de ser um exímio combatente, achou-se nele as virtudes necessárias para se tornar um paladino, apesar de não ser humano ou aspirar tornar-se paladino. Para isso ele deveria ser além de um bom guerreiro, devoto da Santa luz. Mas não era este o problema, pois além de ser um grande guerreiro, Tk’ay converteu-se à Santa Luz  em um de seus encontros com os líderes militares de Lordaeron quando foi solicitado apoio do reino élfico de Quel’Thalas na guerra. Logo juntou-se às fileiras da Aliança de Lordaeron no comando de três batalhões de frente, sua vida mudou completamente desde então, passou a ser muito mais paciente apesar de ser um guerreiro furioso em campo, mais humilde apesar de ter ajuntado uma certa riqueza durante sua vida como militar tornando os Tamnar uma das famílias mais abastadas de Luaprata, buscava a pureza de seu ser e sempre era honesto, misericordioso e compassivo com o próximo e justo com todos. Dessa forma praticava continuamente os bons valores daquela casta religião.

Com o fim da Primeira Guerra Tk’ay foi sagrado pela Luz como paladino, mesmo sob desaprovação de alguns membros do Punho de Prata o que o impediu de ser ordenado àquela ordem de paladinos, mas este não tomou aquilo como algo ruim ou ofensivo e, de volta à Luaprata, passou a ensinar táticas de combate ao seu filho e outras crianças elficas numa escola para formação de guerreiros, onde ele passou a trabalhar durante o período entre guerras.

Quando o pequeno Æk’ay completou seis anos de idade, na contagem dos elfos, já sabia empunhar uma espada e manejá-la muito bem, até mesmo melhor, que muitas das crianças acima de sua idade. Foi nesta época, que iniciou-se seu treinamento como Andarilho. Seus primeiros mestres foram seu próprio pai, seu tio Bram e Filipe Schatthe-Best. Um grande amigo da família Tamnar morador de Lordaeron, que apadrinhou o rebento dos Tamnar e era considerado membro da família por todos os conhecidos de Tk’ay e Suryan. O Marechal de Campo Schatthe-Best também era um dos pouquíssimos humanos, que estavam em Luaprata quando o pequeno Æk’ay nasceu.

Dessa forma, seu destino começava a ser traçado. Como seu pai, guerrear estava no sangue e agora, com tantas baixas na Ordem do Punho de Prata, depois de uma infância dedicada a servir e praticar os ensinamentos da Santa Luz passados pelo seu próprio pai e tio, não seria difícil ser chamado para treinamento como paladino e assim se fez. Quando completou sete anos de idade élficos foi introduzido à escola de Uther, mas nunca deixou de treinar com seu pai, seu tio e seu padrinho.

Oito anos haviam se passado desde o nascimento do filho de Tk’ay Tamnar, uma nova guerra havia estourado e terminado, mas os conflitos estavam longe de acabar. Tk’ay fora enviado junto com outros grandes guerreiros à uma terra conhecida apenas por Draenor, no encalço do nefasto xamã orc Ner’zhul, por uma espécie de portal interplanetário de caráter mágico, a fim de combater os orcs, que vinham de lá à Azeroth para tentar uma nova investida de dominação do planeta. Antes de ir Tk’ay, que era um grande ferreiro,  presenteou seu filho com uma espada Quel’Dorei. Enquanto dava a espada, que em proporções ao pequeno elfo era enorme e ele mal conseguia erguê-la do chão disse, que ele a usaria somente quando se formasse na escola de Uther e entregou à sua mãe que, mais tarde a colocou numa moldura pendurada na parede acima da cabeçeira de sua cama. A formatura não demoraria muito, pois apesar de muito novo, Æk’ay Tamnar se mostrava muito forte e inteligente. Todos os seus mestres tinham grande orgulho dele.

Um em especial se gabava mais que todos os outros; Bromos Grummner. Um dos primeiros anões a serem sagrados pela Luz como paladino e membro do Punho de Prata, foi incubido por Uther a tutorear o jovem Æk’ay em sua jornada de formação. Bromos, sempre com uma caneca de hidromel na mão, dizia aos quatro ventos, que seu pupilo era o melhor entre todos de sua faixa etarea.
Numa certa feita, em uma estalagem de Lordaeron, enquanto confraternizava com alguns companheiros e paladinos disse:

Guardem minhas palavras, este filhote dos ‘orelhas puxadas’ deve ser mantido como aliado. Sua força excede e muito todos os outros de sua raça e sua dedicação é para ser admirada até mesmo pelo nosso príncipe. Ouso dizer, que se houvesse um embate real entre este guri e o filho do Rei Terenas HOJE, com certeza o elfo seria vitorioso.

Realmente, o pequeno Æk’ay, que na época aparentava quatorze anos humanos, era admirado por uns, invejado por outros e servia como exemplo de cavalariço a todos de sua turma, mas um embate com Arthas? Aquilo era impensável para a maioria. O jovem Príncipe Arthas por sua vez, estava chegando aos dezoito anos e já estava pronto para ser sagrado paladino, apesar da pouca idade para tal responsabilidade, um embate deles dois naquela altura seria, na teoria, uma desvantagem enorme para o jovem elfo, entretanto todos os testes de força e intelecto em combate e campos de treinamento, Æk’ay recebia menções superiores às do Príncipe de Lordaeron.
Seu padrinho, o então Marechal de Campo Filipe Schatthe-Best sabia que Grummner já estava sob o efeito do hidromel, mas orgulhoso de seu afilhado e sabendo de suas capacidades completou:

Ele, meu caro Grummner, antes de ser paladino era um guerreiro! Nasceu Guerreiro! Nós Guerreiros somos isto! Força, audácia e inteligência, vocês paladinos apenas concederam à ele algumas coisas que nos falta, como as dádivas de combater lado a lado com a Santa Luz, mas ele continua sendo um guerreiro!!

E assim seguia o treinamento do jovem Æk’ay.

Æk’ay conviveu com seu pai até os sete anos e meio de idade, na contagem dos elfos. Este pouco tempo de convivência o tornara o maior admirador de Tk’ay, e por ser o único filho até aquele momento, os dois se tornaram grandes amigos. O treinamento ajudou a aproximá-los cada vez mais conforme iam passando os anos e tudo que seu pai o ensinou, naquele curto período de tempo, ele levou consigo para sempre. Os ensinamentos da Santa Luz, a educação e atenção para com todos, bons modos e costumes além de iniciá-lo no artifício da ferraria, profissão que Tk’ay aprendera bastante jovem e que desenvolvia com afinco, e também é claro, não poderia deixar de ensinar algumas técnicas de combate, que apenas os Tamnar sabiam.

Foi por conta do sua aproximação e afeto pelo pai, que o dia mais triste da vida daquele pequeno elfo, foi o dia em que ele chegou das terras longínquas de Kalimdor, onde treinava com os fillhos do senhor Filipe sob supervisão deste, e viu apenas uma carta de seu pai nas mãos de sua mãe, que ao vê-lo chegar em casa acompanhado por seu tio Bram, fazia menção de cair em um pranto eterno. A mensagem era curta, em suma Tk’ay disse, que nada naquela vida poderia substituir o amor que ele sentia por seu filho e por ela, e que este amor ele levaria por toda eternidade em seu coração. Que o pequeno Æk’ay deveria ser obediente ao Tio Bram, ao Tio Filipe e proteger sua mãe e sua cidade com a própria vida, se preciso fosse, enquanto ele estivesse fora. Além disso haviam instruções jurídicas em relação aos bens da família e um testamento caso ele não voltasse de Draenor.

Tk’ay não voltou depois da batalha. O portal mágico que ligava Azeroth à Draenor foi destruído e ele estava preso naquele mundo distante de sua família, entretanto antes de partir, junto à carta para Suryan deixou também um bilhete para seu irmão. Neste bilhete haviam instruções de treinamento de seu filho. Indicações de nomes, que poderiam ajudar na instrução intelectual Quel’dorei do pequeno Æk’ay e um fato curioso. Quase nenhum habitante dos Reinos, que cumpunham a Aliança de Lordaeron sabia da existência de uma raça de touros meio humanos naquele mundo exceto Tk’ay Tamnar. Este por sua vez, indicou o lugar no mapa onde era comum estes seres, montarem acampamento em determinada época do ano, pois eram uma sociedade de costumes nômades. Tk’ay também explicou, que havia entre eles um grupo de guerreiros denominados Andarilhos do Sol. Estes praticavam muitas das técnicas de combate que eles conheciam, mas também detinham o conhecimento de técnicas desconhecidas, que poderiam favorecer no desenvolvimento de seu filho. Deixou todas as instruções de como e quando ir ao encontro deles, com quem falar e o que falar, para garantir a integridade física de seu irmão afinal, era um povo pacífico, mas eles treinavam guerreiros e eram o dobro do tamanho de qualquer humano ou Quel’dorei com o quádruplo de força.

Naquele momento ao entrar pela porta de seu lar, o pequeno Æk’ay fitando o rosto de sua mãe, correu para abraçá-la. Não escondeu a imensa tristeza e chorou como se jamais fosse ver seu pai novamente. Ela o abraçava forte e também chorava muito. Entregou a carta e o bilhete à Bram, que lendo aquele bilhete teve a sensação de que mais parecia uma despedida eterna, que um simples até breve. Suryan sentia isso em seu coração numa dor imensurável, segurava aquele pedaço de papel como se fosse a última coisa que ela teria de lembrança do seu amado. A partida de Tk’ay a fez chorar por semanas, mas ela entendia as obrigações de um alto oficial em tempos de guerra, e que sua convocação, agora, poderia significar poupar as vidas não apenas de sua família, mas de um reino, e até mesmo de um mundo inteiro.

Bram vendo aquilo tudo tentava consolar aquela criança e aquela mãe, ambos choravam copiosamente, mas quando ele leu com mais calma o bilhete e logo em seguida a carta dada por Suryan percebeu, que seu irmão se fora, sem data de retorno. Talvez nunca mais pudesse encontrar seu estimado irmão e companheiro de tantas batalhas. Talvez aquela senhora Quel’Dorei ficasse viúva deixando aquele pequeno elfo órfão de pai. Aquilo mexeu com ele e enquanto abraçava os dois, que choravam rios de lágrimas. Jurou a sim mesmo, que cuidaria pessoalmente daquela família, que agora estava sem a presença protetora do pai.

Leia o próximo capítulo aqui: https://dkpalladin.wordpress.com/livro-1-aekay-tamnar/cap-2-em-formacao/

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