The Death Knight

Cap 2 – Em formação

–  Monsenhor Grummner, não aporrinhe o menino! Deixe que ele já tem idade e entendimento suficiente para escolher o que ele quer ser…
– Ele deve se tornar um Inquisidor! Olhe a força que tem! Nada mais justo que conceder-lhe uma grande marreta abençoada pela Santa Luz para que retribua o mal por bem!
– Eu sei… eu bem o sei o tanto de força que ele tem! Eu o treino desde muito antes de você anão!
– E por que tu ainda dizes que ele deve escolher? Ele não tem escolha! A escola o faz, o forma, o dá o caminho a seguir!
– Bromos Grummner! Não seja cabeça dura e deixe o menino escolher seu caminho! Acaso tu sabes à que a Luz o chamou? Estás na mente dele?
– Não estou em mente de ninguém, mas vejo os fatos e encaro a verdade! Ele dever seguir na Retribuição!
– Ele deve seguir onde a Luz o chamar!

E assim os dois, Filipe e Bromos, seguiam discutindo o futuro de Æk’ay Tamnar como paladino. Filipe, que o treinava desde criança como guerreiro, defendia o direito de escolha do jovem elfo, ou que este demonstrasse à que a Luz o chamara. Bromos, que o treinou desde sua entrada na escola de Uther, apenas olhava a tamanha força física do jovem elfo, em comparação com os outros garotos, e batia com os dois pés juntos, que Æk’ay deveria seguir a escola da Retribuição, sendo o suporte às linhas de frente. Passaram horas batendo boca até que ambos cansaram.

Æk’ay, naquela altura, acabara de completar quinze anos, o treinamento havia chegado ao ponto em que ele deveria seguir uma escola e ser sagrado pela Luz como paladino na escola escolhida quando estivesse pronto. Naquele mesmo ano, ele veria a primeira formatura de um cavalariço. Arthas Menethil, filho do rei de Lordaeron, apesar de jovem, já estava pronto para assumir as responsabilidades como paladino. Todos no Punho de Prata almejavam a ordenação do Príncipe de Lordaeron. Seria uma nova era no comando dos reinos da Aliança de Lordaeron, quando o primeiro Rei Paladino governaria absoluto, sob as bençãos da Santa Luz. Aquilo com certeza seria a era áurea daqueles reinos, onde a Luz governaria absoluta sobre as trevas. A ameaça órquica estava sob controle, sendo que a maioria dos orcs, que permaneceram em Azeroth e perderam a batalha, viviam em campos internos.

Æk’ay não tinha tanto contato com estes orcs, na verdade cresceu sempre ouvindo estórias de que aqueles seres musculosos eram enviados pelos demônios para assolar os reinos de seu mundo. Estórias de como eram brutais os embates, de como aqueles seres eram alatamente perigosos. Não poupavam crianças, velhos, mulheres, mas torturavam e matavam a tudo e à todos em seu caminho. Toda vez que ouvia o tio Filipe contar as grotescas estórias das guerras entre os reinos humanos e os demoníacos orcs, lhe dava arrepios quando era garoto.

Mas naquele mesmo ano, ele teve seu primeiro contato com os verdadeiros orcs. Quando ele os viu, logo de início se assustou com a postura e a corpulência daqueles seres. Se perguntava ao vê-los, como um humano conseguiu derrotar seres, que pareciam tão superiores em força física. Mas foi numa incursão até um dos campos internos, que ele mudou seu modo de pensar preconceituoso sobre os temidos orcs. Ele viu o quão desumano um humano pode ser. Aqueles seres outrora temidos e combatidos agora viviam em casebres mal-ajambrados, se vestiam com retalhos e tinham uma aparência doentia. Nunca olhavam para cima e nunca encaravam os humanos que chegavam. Alguns guerreiros, que escoltavam a turma, chacoteavam o tempo todo, humilhando aqueles seres, que apesar de sua aparência bruta, demonstravam uma grande fraqueza e, em suas ações, não esboçavam qualquer tipo de ameaça. Via os abusos por parte dos líderes dos campos de concetração, abusos que iam desde gládios sem o menor sentido, que sempre terminava com uma morte sangrenta e violenta para o orc que combatia contra um humano, até maus tratos e privações impostas aos orcs. O repúdio visível à qualquer um que observasse alguns daqueles garotos e no lugar do medo, que desde cedo era nutrido, um sentimento de compaixão e piedade se formava e crescia juntamente com o repúdio àquelas práticas no coração do jovem Æk’ay.

Os jovens e seus Metres Paladinos continuaram sua incursão até uma clareira na mata após o campo interno. Neste dia, enquanto Æk’ay cavalgava em um dos corcéis da escola sentiu-se tocado por algo que ele não sabia o que era. Em meio às chacotas dos guerreiros, ao lado de outros colegas de turma e de alguns paladinos, que faziam piada de tudo que passava por eles sentiu pela primeira vez a Luz o tocar. Foi como se ele tivesse entrado num transe. No começo não entendeu nada, achou que estivesse num sonho ou passando mal devido ao sol forte daquele dia, mas logo algo o incomodou para que ele prestasse atenção aos mínimos detalhes do caminho. Sentiu uma grande compaixão e um sentimento misericordioso em seu coração ao lembrar aqueles seres humilhados. Foi quando uma coluna de luz o envolveu e, numa visão, presenciou uma cena que mudou definitivamente sua vida.

Como se fosse outra pessoa, se viu chegando em um daqueles campos internos e cavalgar entre os orcs, que pareciam estar muito doentes, num determinado momento seu cavalo parou. Ele balançava as rédeas dando os comandos para o animal andar, sem sucesso até perceber um orc velho deitado em seu caminho. Ele desceu do cavalo em direção ao orc quando vários orcs apareceram, como se tivessem brotado do chão, armados até os dentes. A aparência deles era assustadora, como nas estórias do tio Filipe, Seus rostos tinham desenhos de caveiras e tinham chifres espalhados pelos braços, ombros e em suas cabeças. Ele empunhou seu grande martelo de paladino e começou uma luta frenética com aqueles orcs. Enquanto lutava, aquele orc velho ficou de pé, e num piscar de olhos não era mais um orc e sim seu pai. Os dois lutavam lado a lado até que seu pai foi atingido e gravemente ferido caiu. Ele bradava pela Luz tentando se defender e curar seu pai ao mesmo tempo, mas seu pai estava morrendo. Um grande clarão o cercou e todos os orcs foram derrubados de uma única vez. Sem entender nada, percebeu que agora, depois do clarão, ele não mais usava uma armadura de paladino, mas sim uma armadura negra, nefasta e aterrorizante. Seu grande martelo agora dava lugar à espada que seu pai tinha lhe dado antes de partir, mas esta estava diferente.Voltando-se para seu pai, tentou com todas as forças e fé curá-lo para salvar sua vida, mas de alguma forma ele não conseguia e viu seu pai morrer ali.

Depois de alguns solavancos, voltou em si. Era Mehlar que o chamara mais à frente. Pareou seu cavalo ao dele para ouvi-lo, mas não conseguiu compreender uma só palavra. Sua mente o atordoava repassando a cena onde a mão de seu pai,  já sem vida, tocava o solo ensanguentado.

E ali mesmo sentiu, que a Luz o chamou para seguir seu treinamento e se formar na Escola Sagrada dos paladinos, que curavam.

Escola! Em Formação!

Todos se apressaram e fizeram uma pequena formatura ali. Ninguém entendeu muito bem do que se tratava de início, mas logo viram alguns paladinos chegando. Uther estava ali e com certeza alguma cerimônia deveria acontecer ou algum tipo de treinamento especial. Alguns dos cavalariços pensavam que eles foram até aquele lugar para treinar combate real com os orcs, mas logo todo o alvoroço de alguns mais entusiasmados se desfez. Uther então tomou a frente e começou a falar em alta voz.

Jovens. Eu vos mandei vir até aqui, pois quero, à partir de hoje, por um divisor de águas em suas vidas. Hoje pela manhã vocês acordaram como aprendizes, meros escudeiros. Mas alguns de vocês irão dormir mais tarde como cavalariços de verdade. É chegada a hora de vossa decisão sobre o rumo que irão tomar suas vidas. Seu futuro começou desde o momento em que a Santa Luz escolheu cada um de vocês antes mesmo de vocês serem concebidos por suas mães. Alguns irão retornar para casa, mas outros irão ingressar em uma longa jornada em algumas horas. Àqueles, que eu citar o nome, sairão da formação e perfilarão ombro à ombro à minha direita.

Tudo era tão solene que nem mesmo um animal de rapina, que poderia estar por perto na mata, fazia barulho. Então começou-se a chamar alguns nomes.

Æk’ay Tamnar… – bradou Uther o nome do elfo, após alguns nomes.
– Æk’ay! Æk’ay!! – chamavam os colegas por perto, mas ele ainda estava enebriado pela visão.

Depois de um e outro solavanco deu por si, sem dizer uma palavra caminhou até a fila, se colocou em sua posição e esperou o Arauto Da Luz terminar seu discurso. Já era entardecer. O céu estava pintando em tons de azul e vermelho. No horizonte, por entre as montanhas o Sol se escondia e as nuvens, que mais pareciam tufos esticados de algodão em tons de dourado e escarlate, se misturavam em um céu púrpura e alaranjado. A mata em sua volta parecia querer escurecer o lugar, mas as armaduras douradas dos paladinos presentes, brilhavam pela Luz e iluminavam tudo em volta naquela clareira. Os pássaros revoavam para seus poleiros nas árvores e cantavam uma sinfonia serena, que agora era acompanhada pela voz do mestre paladino.

Aos senhores que não chamei, terão todo tempo do mundo para mostrarem seu valor à Luz. Deixem que Ela os guie! Aos que chamei, é chegado vosso tempo! A Santa Luz os escolheu! Ela com certeza falou com cada um de vocês de algum modo…

Quando Uther falou aquilo Æk’ay percebeu, que aquela visão foi o chamado da Luz. Que mesmo sendo forte e bom combatente a Luz o inspirava para ajudar seus companheiros. Mas muito além disto. Um propósito maior estava o aguardando. Uma nobre causa, mas com certeza esta nobre causa iria se revelar apenas no devido tempo.

… Æk’ay Tamnar. Filho daquele que precursou, junto com alguns outros de sua raça, às Graças e Bênçãos da Santa Luz para seu povo. Diga-me agora, filho à que fostes chamado?
– Senhor! À Santificação! Fui chamado à ajudar os meus irmãos! Serei santificado e Sagrado. Pela Luz!

Uther ouviu com muita surpresa aquilo. Filipe, que também estava por perto, se assustou de início. Tudo em treinamento levava a crer, que Æk’ay Tamnar seria um paladino retribuidor, mas logo em seguida, Filipe fechou os olhos e entendeu, que a Santa Luz tem um propósito para cada um. Um plano maior que apenas Ela e, na hora certa, seu escolhido saberiam.

Pois bem. Aos que não foram chamados retornem aos cuidados de Mehlar. À vocês, seu treinamento terá continuidade amanhã bem cedo! Montaremos acampamento  dentro de algumas horas. Aproveitem os últimos raios de luz do dia para garantir a fogueira e o nosso jantar. Æk’ay, você vem comigo. Quero te apresentar ao seu novo mestre.

Leia o próximo capítulo aqui: https://dkpalladin.wordpress.com/livro-1-aekay-tamnar/cap-3-um-raio-de-sol/
Não leu o anterior? Leia aqui: https://dkpalladin.wordpress.com/livro-1-aekay-tamnar/cap-1-um-pequeno-ser/

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s