The Death Knight

Cap 3 – Um raio de Sol

Já era bastante tarde, o sol já se escondia atrás das árvores e montes. O acampamento, finalmente armado, agora começava a ser iluminado apenas pela luz cambaleante de algumas tochas crepitantes. Uma fogueira estava sendo preparada no centro enquanto alguns caçadores chegavam com o prato da noite. Uther queria dessa forma. O mais rústico possível. A caça seria degolada e ‘tratada’ ali mesmo na frente dos cavalariços. Aquilo faria quem não tivesse “estômago” ser reservado para o serviço “burocrático”, se assim a Luz o quisesse.

O acampamento não era grande. Sete cabanas ao todo, duas delas mais largas e altas. Quatro pêndulos em forma de pequenos martelos balançavam nas portas de ambas, mas uma estava com uma grande tocha dourada na cabeceira da retaguarda. Isso mostrava que alguém muito importante estava acampado ali. Todas as tendas eram brancas, mas as duas maiores eram adornadas com fitas lazulis, douradas e escarlates em seu contorno. Sempre pendiam verticalmente, mas a ordem com que elas eram exibidas, dava um ar cerimonial ao vê-las. A fita lazuli sempre vinha primeiro em ambos os lados, seguida da dourada e por fim a escarlate. Ao lado mais duas outras cabanas, estas eram bem menores e feitas de grandes peças de couro costuradas.

A luz solar estava quase extinta, quando o último grupo de caçadores chegou. Entre eles uma jovem Quel’Dorei. Æk’ay notou, que ela era o único ser feminino naquele ambiente tipicamente masculino. Mas naquele dia, ou melhor, naquele entardecer algo mexera com o jovem elfo. Ela chegara atrás num grupo de três. Por onde viera dava para ver os últimos raios de sol transpassando as copas das árvores. O brilho tênue numa mescla de dourado e carmesim tocava o solo, mas um raio de sol em especial, tocava metade da face dela deixando a outra metade tanto encoberta pela sobra, quanto ofuscada para quem a olhasse.

Ela passou reto, bem ao seu lado. Passos firmes, decidida a seguir em frente sem que nada a distraísse. Uther, que falava copiosamente sobre o novo mestre do jovem cavalariço, ficou mudo, apesar de sua boca não parar de disparar palavra sobre palavra de como seria o próximo passo do treinamento, de como a maioria não conseguia se formar, mas que o posto infante estava garantido com um pouco de honras maiores que os guerreiros treinados nas escolas básicas. Æk’ay não ouvia uma só palavra. Na verdade até ouvia mas sua mente agora centralizava-se apenas num único alvo.

O cheiro de jasmim encheu o ar quando ela se aproximou dele. Um breve olhar para o cavalariço, mas nada que fosse fora do costume. Uma saudação em Talassiano e rapidamente passou. Como um raio de sol ela se movia esplendorosa e silenciosamente, sublime. Agora, sem o costumeiro capucho na cabeça, seus longos cabelos caíam sobre suas costas como uma cachoeira dourada meio rubra. A luz do crepúsculo tornava tudo mais ameno e ao mesmo tempo que escondia, mostrava formas e cores, que ele ainda não havia notado. Na verdade toda Ela era uma descoberta nova para ele. As mãos gelaram de repente e sua face clara ficou rubra, um calafrio na espinha e uma sensação estranha na barriga. O coração palpitava e a respiração parecia custosa. Foi então que ele parou.

– Monsenhor Uther! – disse ele olhando para seu mestre. – O senhor já sentiu sensações estranhas?
– Ora, mas que pergunta rapaz! – se espantou com o tom que o elfo usava, pois não era costumeiro. –  Claro que já tive sensações estranhas. Vivi combates e embates dos mais férreos e cada um deles uma sensação estranha tomava conta de mim.
– Mas Monsenhor…
– Vejo que meu novo discípulo é chegado! – disse, antes que Æk’ay completasse a frase, um homem de cabelo grisalho meio rubro e barba espessa também grisalha, que aparentava ter entre trinta e cinco à quarenta anos de idade saindo da tenda, que tinha a tocha em cima. – Que a Graça e a abundante Paz da Luz esteja com vocês!
– Tiron! – exclamou Uther com um brilho nos olhos. – Trouxe este aqui para você. Deu muito trabalho entender os propósitos da Luz quando eu soube, que ele seria de sua turma…
– A Luz escreve certo por linhas certas meu amigo. – respondeu Tirion sem deixar Uther completar a fala e tocando o ombro do colega. – Nós é quem enxergamos torto.  E eu não tenho turma… A turma toda é sempre tua!

Æk’ay ficou impressionado em ver aquele paladino. Nunca o havia visto antes. Sua aparência era imponente apesar da idade. Alto, forte e tinha uma voz marcante. Seria interessante estudar com alguém tão experiente quanto Tirion Fordring parecia ser.

Olhando para o elfo superior com um sorriso largo perguntou: – E você meu jovem! Espero não estarmos atrapalhando sua juventude. Sei que deves desejar, ter uma namoradinha, não?

Aquilo pegou Æk’ay completamente desprevenido. A primeira parte seria fácil responder, ele vivera a vida toda pela Luz e para a Luz. Aproveitar a juventude era apenas uma futilidade vã e mundana. Passageira em relação ao que poderia ser obtido nesta época onde o aprendizado aflora com mais fervor. Mas a segunda parte…

– Monsenhor…
– Pode me chamar apenas por Tirion meu rapaz! – interrompeu o paladino. – Não sou dado à tantas formalidades assim. Ainda mais agora que vamos passar por uma longa jornada.
– Monsenhor… Digo… Senhor Tirion. É uma honra o conhecer. Quando começaremos?

Æk’ay esperava ganhar tempo, desviando-se da pergunta anterior, mas o velho paladino insistiu.

– Tens quantos anos meu rapaz? – disse analisando o jovem Quel’Dorei. – Presumo que estejas na adolescência. Você já se encontrou com a paixão?
– Claro que sim! – respondeu no mesmo instante em que Tirion terminou. – Na verdade eu fui encontrado por ela.

Os dois paladinos se espantaram juntos. Geralmente os jovens temiam falar de suas paixões carnais. E falar em ter uma namorada, para os cavalariços, soava quase que como um pecado, que os afastaria da Luz.

A Santa Luz é minha maior paixão! – continuou Æk’ay. – Ela me encontrou e hoje a amo mais que tudo!

Tirion olhou o quão resoluto o elfo falou, entreolhou-se com Uther e os dois riram copiosamente. Æk’ay não entendeu o porquê de tanto riso, mas não se conteve e riu também.

– Estás vendo caro amigo. Será uma excelente companhia à sua jornada! – disse Uther ainda em meio à gargalhadas.
– Sim sim… Este não é como os outros. Pensa rápido e tem bom senso. – respondeu Tirion ainda tentando se recompor. – A Luz escreve certo meu caro. Vê? É um curador nato!
– Apesar de eu saber que a força dele seria tão bem empregada nas outras turmas, mas se a Luz assim o quis, assim será feito! – completou Uther. – Agora vou indo. Tenho que apressar os preparativos para à noite. E você meu caro…- voltando-se para o jovem elfo  num tom mais grave. – Cuide bem de nosso amigo. Ele tende a querer entrar em encrencas de vez em quando. Cuide para que a Luz sempre o guie!
– Pode deixar Monsenhor. Cuidarei para que nada de ruim o aconteça! – disse o cavalariço como se já fosse um paladino muito mais velho que seus mestres.

Tirion não aguentou e novamente desatinou a rir descontroladamente. – É uma grande figura! Vá em paz Uther, vá em paz, pois a Luz me enviou boas mãos!

E todos riram até a saída definitiva do Arauto da Luz de perto da tenda onde Tirion estava.

– Meu jovem. Entre, vamos conversar… preciso conhecer mais sobre você. – falou calma e serenamente Tirion pondo a mão sobre o ombro do jovem elfo depois de recompor-se completamente das gargalhadas. – Tenho recebido notícias sobre seu desenvolvimento por aqui. Tens certeza que queres seguir este caminho?
– Sim senhor! – Respondeu em prontidão e firme Æk’ay, mas aliviado em ter conseguido, por hora, desviar-se da primeira pergunta. – A própria Luz chamou-me aqui.
– Ah é?! Conte-me como ela te chamou meu jovem. – a curiosidade do velho paladino foi atiçada. Será que ele estaria falando realmente a verdade ou apenas tentando ganhar admiração de seu novo mestre?
– O senhor realmente quer saber?
– Claro!
– Contar-te-ei então…

Por um momento a imagem daquela Quel’Dorei havia se dissipado um pouco. Mas não completamente, pois mesmo à contar a experiência de vidência, que a Luz lhe proporcionara, aquele rosto banhado num dos últimos resquícios crepusculares de sol, pairava em sua memória. Quem seria? O que ela estaria fazendo ali? Perguntas retóricas ao vento. Mistério, aventura, uma sensação nova o dominava só em lembrar a imagem dela. Ele estava disposto a desvendar e desbravar aquela nova área da vida, até então, completamente desconhecida. Seria uma grande aventura talvez. Surpresas o aguardavam e aquilo mexia com ele. Ela mexia com ele. Mas como chegar naquele novo lugar? Ele não sabia, mas estava resoluto em seguir, mesmo que o próximo passo dado fosse levá-lo direto à um abismo de incertezas e dúvidas. Ao desconhecido.

Leia o próximo capítulo aqui: https://dkpalladin.wordpress.com/livro-1-aekay-tamnar/cap-4-um-jantar/

Não leu o anterior? Leia aqui: https://dkpalladin.wordpress.com/livro-1-aekay-tamnar/cap-2-em-formacao/

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