The Death Knight

Cap 4 – Um jantar

A conversa se desenrolava como se fossem velhos conhecidos. Tirion se surpreendeu com a descrição detalhada dada por Æk’ay de sua visão enquanto estava no campo de orcs. Pediu diversas vezes para que Æk’ay repetisse algumas partes afim de sondar se o jovem elfo estava sendo verdadeiro. Concluiu que ele, ou era muito bom em mentir ou realmente tivera uma experiência pessoal com a Santa Luz. Entretanto ao pensar na possibilidade quase certa do cavalariço não estar mentindo, ficou perturbado com o fim da narrativa. Naquela época não se havia conhecimento de profetas e videntes, mas alguns líderes tinham visões, que eram tomadas como avisos da Luz sobre algo. Esses avisos poderiam ser desde confirmações de que um novo ser chegaria ao mundo, ou uma grande era de bonança, que se estenderia aos seus reinos ou até avisos de guerra e maus presságios.

“Caveiras? Armadura negra? Abandono da Luz? Algo está errado…” Pensava Tirion, mas em pouco tempo resolveu esquecer e tomar apenas a mensagem de que se Æk’ay não fosse um curador, algo muito ruim poderia acontecer aos homens de seu pelotão representados pela figura de Tk’ay, como assim presumiu Tirion.

A fogueira no centro do acampamento crepitava bruxuleante. Era outono, mas a noite não estava tão fria quanto a anterior. Algumas tochas cercavam o perímetro do acampamento, e para cada cabana uma tocha sempre ficava perto da entrada. As duas maiores tinham duas tochas presas nas entradas de cada uma delas. Todas as cabanas eram iluminadas internamente por um candelabro em cima de uma pequena mesa de madeira, que mais parecia uma banqueta redonda. Apenas as duas cabanas maiores tinham uma cobertura na entrada e também apenas estas tinham cortinas nas portas. As outras eram apenas uma grande armação triangular enlonada, com as bases no solo e uma tela nas aberturas frontal e traseira de cada uma delas, para proteger, quem permanecia ali dentro, dos insetos. Dois cavalariços eram alojados em cada uma das cinco cabanas menores, que apesar de por fora parecerem pequenas para duas pessoas, por dentro percebia-se, que abrigava confortavelmente até mesmo três pessoas adultas deitadas uma ao lado da outra para descanso.

Um animal estava assando numa espécime de espeto acima da fogueira do acampamento, montado em forquilhas, além de que alguns utensílios de cozinha circundavam a fogueira aproveitando seu calor para cozer algumas ervas e uma sopa. Aquilo seria o prato da noite. Muitos dos cavalariços que viram matar o animal não ligavam em comê-lo, mas alguns dos que viram o animal sendo ‘tratado’ não conseguiam ingerir nada daquele cardápio.

Quando tudo estava pronto, Uther reuniu todos em volta da fogueira, agradeceu à Luz pelo alimento e juntamente com alguns mestres, que também estavam ali, iniciaram a distribuição da sopa com ervas. O prato principal ficou livre para ser degustado enquanto ele existisse.

Æk’ay, que já tinha o costume de comer a própria caça por conta dos treinamentos com seu tio Filipe, foi um dos que mais vezes repetiu. Entretanto suas idas até a forquilha tinham outros propósitos. Tentar ver se conseguia achar aquela bela donzela de cabelos louro-escuros e pele alva, que passara por ele durante o crepúsculo. Mas, para sua decepção, não conseguiu encontrá-la onde quer que a procurasse com sua visão. Não ousava perguntar, para que ninguém desconfiasse de nada, pois temia algo, que nem mesmo ele sabia se iria ocorrer; uma repreensão de seus mestres quanto aos “prazeres fúteis da juventude” como era mistificado entre os cavalariços.

Quando se saciou por completo, permaneceu um pouco mais de tempo perto da fogueira, para tentar vê-la pelo menos uma última vez antes de descansar, mas ainda assim ela não apareceu.

Será que ela estava só de passagem? Ou foi engolida pelo solo?” Se perguntava em meio aos suspiros de decepção em não encontrá-la em lugar algum.

Voltou-se para sua tenda e lá foi-se, caminhando cabisbaixo e pensativo. “Foi apenas um jantar de muitos que virão e, talvez, eles pudessem se reencontrar no dia seguinte, quem sabe…” Foi justo este o último pensamento esperançoso em encontrar aquela bela elfa, que o fez levantar a cabeça, e ir se recolher para que a noite passasse rápido e uma nova aurora anunciasse um novo dia, e quem sabe durante o próximo jantar eles não se reencontrariam.

Mal sabia ele, que a noite seria longa e que a Luz ainda reservara algumas surpresas para todos naquele acampamento.

Leia o próximo capítulo aqui: https://dkpalladin.wordpress.com/livro-1-aekay-tamnar/cap-5-disturbios-noturnos/

Não leu o anterior? Leia aqui: https://dkpalladin.wordpress.com/livro-1-aekay-tamnar/cap-3-um-raio-de-sol/

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