The Death Knight

Cap 5 – Distúrbios Noturnos

Já era madrugada alta, a brisa gelada balançava as copas das árvores e refestelava a relva naquela clareira. Todos se recolheram com exceção de quem montava guarda. Tudo parecia relativamente calmo para a primeira noite de treinamento dos futuros paladinos da Aliança de Lordaeron.

Apenas parecia, pois algo espreitava-os na escuridão da noite. Um ser que não pensava em nada além de violência e sobrevivência à qualquer custo, observava o acampamento e fazia seus cálculos. O acampamento principal parecia impenetrável. Cinco guardas, sendo três deles homens adultos e fortes. Os outros dois eram cavalariços, mas estes pareciam mais atentos aos ruídos noturnos, que os mais fortes. Entretanto havia uma outra formação de cabanas ao lado do acampamento grande. Apenas duas cabanas. Um dos guardas adultos hora ou outra chegava-se perto das cabanas pequenas construídas com pedaços de couro costurados sobre uma armação triangular de madeira e apenas uma pequena fogueira à frente.
Perfeito” pensou a criatura e começou a calcular seus movimentos, para que fossem sincronizados aos movimentos do guarda mais próximo.

A fogueira no meio do acampamento estava quase em brasas, alguns guardas patrulhavam o perímetro, o restante permanecia em suas cabanas, mas nem todos haviam adormecido. Uns ainda estavam tentando se acostumar ao completo desconforto em dormir numa esteira de fibra natural sobre a relva no chão. Outros sonhavam acordados, que aquilo seria um prelúdio à uma campanha armada de verdade e outros tinham motivos particulares para ainda permanecerem acordados.

Repentinamente ouviu-se um grito e um pedido de socorro na escuridão. Quase todos acordaram. Æk’ay, que não conseguira pregar os olhos durante a noite relembrando da cena ao pôr do sol, ouviu o grito e foi um dos primeiros a levantar-se. Os guardas procuraram os dois paladinos, que já estavam de saída de suas cabanas para apurar o que estava ocorrendo e logo perceberam a gravidade da situação.
–  A voz era de uma menina. – disse um dos guardas. – Mas não vi nenhu…
– Koarhan Dawnblade! – interrompeu Uther, sabia que era a única menina ali. – Vamos montar um efetivo para procurá-la!
– Monsenhor! – gritou Æk’ay vestindo sua cota de malha. – Eu me ofereço para ess…
– Nada disto meu jovem! – interrompeu o Arauto da Luz. – Este trabalho ainda não está sob seu alcance.
– Mas Monsenh.. – tentou apelar o jovem elfo.
– Já falei! – disse Uther firme em suas palavras olhando grave para Æk’ay e interrompendo-o novamente. – Isto é trabalho de gente grande. Não quero amanhã ter que procurar dois elfos. Volte para sua cabana.

Æk’ay respirou fundo enquanto terminava de vestir sua cota de malha feita de bronze, com o pequeno elmo de ferro em sua mão esquerda e uma marreta de bronze encostada em sua perna direita. Estava decepcionado em não poder fazer nada. Mas estava mais decepcionado ainda em saber, que era ela quem estava lá e em sua mente a imaginava sendo colocada em um grande caldeirão, com orcs horrendos à sua volta preparando ela como jantar.

Eu tenho que fazer alguma coisa… algo deve estar ao meu alcance…” pensou ele, mas mal acabara de ouvir seus próprios pensamentos um novo grito de socorro irrompeu da escuridão.

– Está para aquele lado! – disse um dos guardas apontando para o lado das cabanas dos caçadores.
– Não! – gritou Æk’ay, já pondo o elmo na cabeça. – O grito veio daquele lado. – e apontou para o vão entre as cabanas dos paladinos.

Ele puxou sua marreta, ajustou-a nas suas costas fechando os olhos de cabeça baixa, suplicando à Luz para que o ajudasse naquela hora.

– O pequeno elfo está certo! – disse Uther. – O grito parece ter vindo de minha retaguarda. Você, você e você. – completou ele apontando para os três guardas à sua frente. – Venham comigo! O resto ficará aqui com o Irmão Fordring.

Mal acabara de falar e Æk’ay saiu em disparada na direção do grito. Não ouviu quando Uther o chamou tentando fazê-lo ficar no acampamento. Realmente era mais prudente permanecer na segurança do grupo, agora desperto, entretanto o jovem coração do Quel’Dorei estava contrito numa missão particular. E partiu dali como um raio.

Criança teimosa e insensata! Que a Luz nos guie e nos ajude…” pensou Uther já dando ordens para procurar não um, mas dois elfos. Æk’ay não poderia esperar formar um plano de ação. Ele não queria esperar. Em sua mente, precisava agir o mais rápido possível, antes que sua amada virasse o prato principal dos monstruosos orcs vis dentro da floresta. Correu na escuridão o mais rápido que suas pernas conseguiam. Vez ou outra sentia o calor da Luz a empurrá-lo para frente. A marreta em suas costas brilhava, mas ele ainda não havia percebido isto. O caminho parecia iluminar-se sobrenaturalmente. Toda aquela escuridão era quebrada pelo brilho da Luz, que envolvia o jovem elfo.

Mais um grito, desta vez estava mais perto. Soou alto e claro um “Largue-me criatura feiosa!” logo a frente, ele pensou em correr mais rápido para alcançar a voz, mas algo o impedia e uma ideia iluminou sua mente. Observar tudo à sua volta e procurar sinais de um acampamento no meio da mata. Assim ele fez e pôde perceber uma pequena fogueira bruxuleante um pouco mais à frente. Não poderia ser a fogueira de seu acampamento, pois correu numa única direção.

Orcs vis… Deve ser o acampamento deles…

Furtivamente aproximou-se do local, não conseguia ver muito bem, pois a mata era densa e pensou em subir numa árvore para tentar visualizar do alto. Assim o fez, esgueirou-se num galho e pôde perceber umas criaturas estranhas se movendo perto da fogueira. Procurou com os olhos algum sinal da elfa perto da fogueira, mas não a viu. Procurou um pouco mais e a viu sentada e amarrada de costas à um tronco fincado no chão. As criaturas não eram grandes mas cada uma carregava uma espécie de adaga grande e se vestiam com algo, que parecia ser cotas de malha. A elfa se debatia e tentava chutar as criaturas, mas eles pulavam e se esquivavam dos golpes dela soltando um riso que mais parecia um ganido duma hiena.

Essa é de Quel’Danas!” pensou ele enquanto observava-a tentando se defender, mesmo amarrada, daquelas criaturas, que tinham a mesma estatura de um elfo adolescente mas eram peludos, corcundas e um pouco corpulentos. Ele logo pôs-se a pensar num plano para tirá-la de lá. Não tinha nenhum tipo de arma cortante, apenas a marreta, que segurava com as duas mãos, mas esta era uma arma contundente e não poderia usá-la para cortar as cordas que prendiam a elfa.

Eu vou por lá, entro devagar quando eles derem as costas, quebro o tronco, desamarro ela e juntos corremos em direção ao acampamento!” Este foi o ‘brilhante’ plano do jovem elfo.

Desceu da árvore, deu à volta no acampamento, tentou disfarçar-se em uma moita esperando o momento certo para entrar.

Leia o próximo capítulo aqui: https://dkpalladin.wordpress.com/livro-1-aekay-tamnar/cap-6-falsos-orcs/

Não leu o anterior? Leia aqui: https://dkpalladin.wordpress.com/livro-1-aekay-tamnar/cap-4-um-jantar/

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