The Death Knight

Cap 6 – Falsos Orcs

Agora!

Æk’ay pulou da moita enquanto o estranho ser peludo deu as costas e correu o mais rápido que poderia até o lugar onde Koarhan estava amarrada. Rapidamente empunhou sua marreta e deu com ela na nuca do bixo. A elfa vendo-o chegar tentou avisá-lo para não atacar o bixo, entretanto o movimento do elfo foi tão rápido, que ela não conseguiu completar a frase. O bixo cambaleou, deu um grunido, mas não caiu, deu mais um grunido, desta vez mais alto, desembainhou o pequeno alfanje, e colocou-se à frente do elfo. Logo outros surgiram. Pouco à pouco foram se aproximando do jovem elfo, que tentou quebrar o tronco com golpes de marreta, mas não teve sucesso.

– Pega aqui, na minha cintura a adaga e corta as cord… -tentou dizer a elfa.
– Agora não dá! – exclamou o elfo, interrompendo a fala dela. – Que a Luz nos proteja!
– Pegue aqui logo e coloque em minha mão! – ordenou ela.
– Não vês, que estou um tanto complicado aqui? – disse ele.
– Anda logo! Não temos muito tempo!
Aaarrrggg… Meninas… – bufou ele, mas abaixou-se rapidamente para pegar a adaga, que estava no cinto de Koarhan e tentou colocá-la em sua mão.

As criaturas esperavam um momento certo para atacar. Ele era um pouco mais alto que elas, e isso parecia intimidá-las, mas quando ele abaixou para pegar a adaga, a mais próxima deu um grunido, como se fosse uma gargalhada de sarcasmo e avançou num pulo em direção do jovem cavalariço.

Anar’alah!!” gritou ele e girou sua marreta. Acertou em cheio o rosto da criatura. Como precisou largar a adaga para fazer o movimento com sua marreta, esta caiu no chão perto da mão de Koarhan. Ela tentou apalmar com a ponta dos dedos tentando agarrá-la, mas não conseguiu.

– Ainda não tenho a minha adaga em minhas mãos… – esbravejou ela num tom, quase que como uma reclamação.
– Você percebeu, que estou tentando nos manter vivos aqui? – perguntou ele enquanto girava mais uma vez sua marreta no ar, tentando acertar outro daqueles seres, que atacava-o no momento. – Acho que não…
– Se você tivesse me entregado a adaga antes nós já teríamos saído daqui. – retrucou ela.

A marreta de bronze dele brilhava dourada pela Luz. A cada golpe, faíscas pareciam sair nos pontos de atrito e contato entre a marreta e os inimigos. Æk’ay pensava, que aqueles seres peludos eram orcs vis, mas estava enganado, eram Gnolls. Não eram muito comuns naqueles lados, mas Koarhan  sabia o que eram, pois aqueles eram os principais inimigos de qualquer caçador naquelas matas ultimamente.

Ela percebeu, o brilho de um guerreiro da Luz lutando ao seu lado. Ela viu, fascinada, a Luz emanando dele, de forma que o envolvia. Embora, aquele momento não fosse o melhor para se apreciar este tipo de situação.  Ele apenas golpeava com seu Martelo de Guerra empunhado por Æk’ay com suas duas mãos e forjado completamente em liga de bronze, com fitas de pelego de lince formando uma empunhadura no cabo. Não havia ainda percebido que a Luz estava ali, lutando junto com ele.

Enquanto lutava, Æk’ay num relance no olhar, notou a adaga da elfa perto de seu pé direito. Chutou-a com o calcanhar para perto da mão de Koarhan e finalmente ela pôde agarrá-la. Girou-a com os dedos e começou a cortar as cordas, que prendia suas mãos ao tronco fincado no chão. Ele girava sua marreta no ar, hora acertando alguns Gnolls, hora defendendo-se das investidas dos animais. Estes gruniam, guinchavam e pulavam de todos os lados.

– Malditos orcs vis! -esbravejou ele enquanto lutava. – Parecem nascer do chão!
– Não são orcs! – disse ela rindo-se dele, já cortando as cordas que prendiam seus pés. – Essas pestinhas são Gnolls… – e completou. – Ainda bem que não são os pais deles.
– Não importa agora! – retrucou ele. – A Luz há de fazer justiça à todos eles por terem tentado comer você!
– Me comer? – disse ela em meio à gargalhadas. – Você deve estar brincando né?!

Quando ela finalmente se desamarrou, posicionou-se à retaguarda de Æk’ay. Ele recuava tentando chegar-se à mata conduzindo-a e protegendo-a, mas os inimigos eram muitos e o cercaram em um paredão de pedra, antes que ele e Koarhan pudessem chegar à mata. Quando pareciam cercados por todos os lados, a elfa viu uma brecha entre as rochas e os animais. Sem avisar, ou ao menos pensar nas consequências, saiu em disparada naquela direção. Æk’ay não conseguiu detê-la, mas viu quando um dos animais empunhou uma lança e preparou-se para acertar a jovem elfa na corrida. Ele não pensou em mais nada além de tentar salvar a vida dela de alguma forma.

Enquanto isto, Uther e alguns homens chegaram ao lugar onde a luta ocorria, chegaram justamente do lado oposto ao que Æk’ay estava e a visão que Uther tivera o deixou feliz naquele momento. O cavalariço brilhava enquanto defendia a donzela, sua arma também brilhava, mas ele apenas usava as técnicas de combate e ataque corpo à corpo. Analisou a situação, viu que era favorável ao elfo e se propôs a ver no que aquilo tudo iria dar. Como seria o desfecho daquela briga. Deu ordens aos homens, que se preparassem apenas, mas não interferissem na luta.

Haviam aproximadamente quinze Gnolls. Um deles era mais alto e corpulento, segurava uma pequena lança de madeira com uma ponta metálica. Æk’ay já havia derrubado cinco deles protegendo Koarhan, que estava em sua retaguarda, mas os outros dez agora os cercavam. O mais alto estava no fundo e parecia observar as ações do cavalariço. Quando Koarhan desatinou à correr ele segurou a lança e arremessou-a em direção à elfa. Iria pegar em cheio, mas Æk’ay correu o mais rápido que pôde com um “empurrãozinho” da Luz, e se atirou na trajetória da arma.

A lança penetrou seu torax um pouco abaixo das costelas no lado esquerdo. Um murmúrio de dor pôde ser ouvido pela elfa que, pelo “canto dos olhos”, viu enquanto o jovem cavalariço caía atrás dela. No mesmo instante ela parou e voltou-se em direção à Æk’ay.

– Vá! Corra! – gritou ele, mesmo caído e com dor. – Vá agora! Uther não deve estar longe… Vá!
– E você?! – disse ela chorando e percebendo a consequência trágica de sua decisão precipitada. – Não vou te deixar aqui…
– Vá logo menina teimosa! – respondeu ele em meio à uma tosse seca. – A Luz me guarda… Agora vá!

Os Gnolls se preparavam pra dar um bote fatal nos dois, quando Æk’ay se levantou, empunhou sua marreta, fechou os olhos e suplicou pelo auxílio divino da Luz. Foram apenas alguns milésimos de segundos, mas o mundo pareceu parar naquele momento enquanto ele orava. Koarhan ainda estava lá, os Gnolls ainda não haviam dado seus pulos, mas naquele instante Æk’ay se mostraria muito mais que um mero curador. Fechou os olhos e rogou.

Santa e Bondosa Luz. Se é teu querer que eu viva, viverei. Se é teu propósito chamar-me à ti, assim irei. Mas não deixe desamparados os oprimidos. Se for teu querer, e tua santa vontade, usa-me agora e sempre, para fazer cumprir tua justiça entre os seres desta terra. Dá-me forças para julgar aqueles que oprimem e purifica-me com tua benevolência para manter-me de pé ajudando os oprimidos. Mas que seja feita unicamente sua vontade, por sua graça.

Quando Æk’ay abriu os olhos, viu a lança em seu abdômem, a retirou, fechando mais uma vez os olhos enquanto a dor dilacerante tomava conta de seu corpo. “Purifica-me com teu clarão óh Luz!” pensou ele enquanto terminava de puxar a lança para fora de seu corpo, e não mais sentiu dor. Com a lança fora do corpo entrou num combate frenético contra os Gnolls.

– Agora! – bradou Uther dando a ordem aos homens que vieram com ele.

Juntos, Uther, os guardas e o jovem cavalariço lutavam contra as feras. Æk’ay mostrava uma perícia em combate muito acima da média. Uther, ao vê-lo lutando percebeu, que o jovem elfo era tão bom em combate quanto Bromos falara. Æk’ay provava cada palavra proferida pelo anão emburrado e ranzinza, algum tempo antes. Esquivava-se e golpeava com maestria, a Luz agora parecia o circundar num brilho tão forte, que a mata ficou clara como se fosse dia. Vez ou outra percebia-se um clarão acertando os inimigos mais distantes e derrubando-os. Os golpes do cavalariço soltavam como que faíscas novamente, e a marreta agora brilhava intensamente. Um a um foram caindo os Gnolls, mas antes que o grupo dizimasse todos eles, o maior das feras deu um ginchado e saiu correndo para longe do elfo. Os que ainda estavam de pé, ouvindo o “chamado” do maior, seguiram-no fugindo da presença dos Paladinos. Æk’ay até tentou correr atrás deles, mas ouviu a voz do mestre paladino à sua retaguarda chamando-o.

– Æk’ay, meu filho! – bradou Uther, mas em tom grave completou. – Não ordenei-te para ficar no acampamento rapaz?!
– Monsenhor… – respondeu o elfo enquanto se virava para ver o mestre, mas antes que pudesse falar qualquer outra palavra, caiu desacordado no chão.
– Æk’ay! – gritou a jovem elfa lembrando-se da lança e correndo em direção ao cavalariço no chão. – Æk’ay, não! – e olhando para Uther de forma suplicante em prantos pediu. – Cura ele! Por favor! Ele salvou minha vida! Por favor!
– Ele está bem… – disse Uther serenamente à jovem. – Só está fatigado pela batalha. Seu esforço foi superior ao que seu corpo poderia aguentar. Ele deve descansar agora.
– Ele vai ficar bom? – perguntou ela ainda chorando muito. – Por favor, me diga que ele vai ficar bom… Por favor!

Leia o próximo capítulo aqui: https://dkpalladin.wordpress.com/livro-1-aekay-tamnar/cap-7-o-retorno/

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