The Death Knight

Cap 7 – O Retorno

A alvorada anunciava um novo dia. Uther já havia despertado e estava completamente equipado com sua armadura mais leve feita de cotas de malha, tecido e couro. A noite não abalara o Arauto da Luz, que levantou bem cedo para apreciar os primeiros raios de Sol do dia, naquele lugar. Os homens que participaram das buscas ainda permaneciam recolhidos e descansando em suas cabanas depois de uma noite conturbada.

Æk’ay estava na enfermaria improvisada sob os cuidados do Irmão Fordring. O ferimento causado pela lança fez um corte profundo, por isso o jovem elfo perdera muito sangue, mas o cavalariço era forte e iria se recuperar em breve. Koarhan permaneceu todo o tempo ao lado do leito de seu herói. Ela desejava mais que tudo, fazer o tempo voltar, por conta do arrependimento em ter tomado a decisão de sair em disparada. Mas estava feliz em saber, que o jovem elfo, seu primeiro amor, iria se recuperar. Agora, presa nas garras do sono por conta da fadiga e estresse da noite anterior segurava a mão de seu salvador, mesmo adormecida, não queria largar a mão do jovem elfo por nada.

Tirion ao ver Uther de pé deixou por um breve momento os elfos dormentes na sua tenda, onde foi improvisada a enfermaria, e adiantou o passo para falar com o Mestre Paladino. Ele não queria acordar os jovens com sua voz estridente.

– Bom dia, Irmão Uther. – disse Tirion saudando seu companheiro Paladino.
– Monsenhor! Bom dia! – respondeu Uther à saudação de seu companheiro.
– Tenho novas sobre o elfo. – começou Tirion. – A lança penetrou muito fundo, será preciso removê-lo daqui à uma cidade ou povoado, onde poderemos ter melhores recursos para tratá-lo.
– Creio que removê-lo fatigará o corpo, mesmo mantendo ele desacordado. – disse Uther pensativo.
– Não temos todos os remédios aqui. – retrucou Tirion. – Apesar de tudo ele está respondendo bem ao tratamento básico. É um garoto muito forte.
– É… Eu sei… – Uther continuava pensativo. – E a elfa? Não deu para saber se ela se feriu…
– Apenas algumas escoriações e cortes. – respondeu Tirion. – Nada de grave. Mas é o elfo quem me preocupa.
– A mim também Irmão… À mim também.

Uther não queria remover Æk’ay do acampamento, pois isto faria seu treinamento ser interrompido por tempo muito além do desejado. Mas via-se sem opções, por isto concordou com Tirion em levá-lo dali ao local mais próximo daquele acampamento, com recursos suficientes para cuidar do jovem elfo.

A ida à Durnholde não agradava nem à Tirion muito menos à Uther. O líder local, um bossal e muito mal humorado humano conhecido como Blackmoore com certeza cobraria caro pelos suprimentos e medicamentos necessários. Entretanto para a surpresa de Tirion, único Paladino do acampamento que levou Æk’ay até o forte Durnholde, o líder da fortaleza cedeu completamente sem custos, todos os itens listados por Fordring, que muito agradeceu à cooperação e colaboração.

Seria tão bom se ele se mantivesse sóbrio…” Pensava Tirion enquanto agradecia pelos medicamentos, pois sabia dos sérios problemas com a bebida que Blackmoore tinha.

Não ficaram no forte Durnholde mais que dois dias, apesar dos pedidos do próprio Blackmoore para que ficassem. A atmosfera do local, um campo de concentração órquico, era muito pesada e Tirion julgou ser desfavorável à recuperação do cavalariço. Mal sabia o Paladino, que o líder daquela fortaleza tinha planos de testar sua mais nova idéia de “entretenimento” dos habitantes daquele lugar com o cavalariço em  treinamento. Entretanto Tirion realmente estava apático daquele lugar, por isto rumou de volta ao acampamento assim que Æk’ay mostrou ter forças para aguentar a volta no lombo duma mula. Agradeceu imensamente pela estadia e pelos medicamentos, arrumou todas as suas coisas, juntamente com alguns suprimentos comprados na cela de seu Mustang, e em um dia de viagem já estava de volta à sua tenda-enfermaria improvisada no acampamento.

O retorno de Æk’ay ao treinamento não demorou. Em exatos três dias, após o retorno ao acampamento, o elfo estava de pé novamente. Koarhan podia ser encontrada sempre por perto de Æk’ay, quando ambos tinham tempo livre. Eles aproveitavam a juventude e sua beleza na medida do possível. Entretanto, a bravura demonstrada pelo elfo não o salvou de uma punição por desobediência à ordem do Mestre Paladino.

Uther ordenou, como punição pela insubordinação, que Æk’ay montasse guarda durante as madrugadas por duas semanas. Ordem esta que foi cumprida com certo afinco pelo cavalariço, que fazia questão de patrulhar intermitentemente o perímetro das pequenas tendas dos caçadores, afim de assegurar que nenhum outro episódio envolvendo sua amada e Gnolls voltasse à ocorrer.

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